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Pesquisadoras da Unesc investigam saúde mental de mulheres no primeiro mês após o parto

Estudo busca compreender sintomas depressivos no puerpério e contribuir para melhorias no cuidado materno. (Fotos: Daniela Savi/Agecom/Unesc)

A chegada de um bebê costuma ser vista como sinônimo de felicidade plena. No entanto, para algumas mulheres, o período é marcado por transformações que exigem grande capacidade de adaptação física, emocional e social. Com o objetivo de aprofundar a compreensão sobre um tema ainda pouco explorado, estudantes do curso de Medicina da Unesc desenvolvem uma pesquisa voltada à saúde mental de mulheres no primeiro mês após o parto.

O estudo é realizado pelas acadêmicas Alice Souza Burato e Larissa Cristine Pereira, sob a orientação da professora Gislaine Zilli Réus. O projeto já foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) e parte dos resultados será utilizada para a elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) das pesquisadoras.

“Escolhemos esse tema porque percebemos que inúmeras mulheres enfrentam sofrimento psíquico após o parto, muitas vezes sem receber o cuidado e a atenção que necessitam. Investigar a saúde mental nesse período torna-se essencial para dar visibilidade a essa realidade, promovendo acolhimento e contribuindo para a melhoria da abordagem dos serviços de saúde diante dessa importante questão”, explica Gislaine.

Investigação

O objetivo central da pesquisa é investigar a presença de sintomas depressivos em puérperas até 30 dias após o nascimento do bebê. Para isso, serão analisados fatores que podem estar associados ao quadro, como aspectos emocionais, sociais, hormonais e relacionados à qualidade de vida. “Apesar da expectativa social de que a chegada de um filho seja marcada apenas por momentos de alegria, essa fase é permeada por mudanças profundas e, muitas vezes, negligenciadas tanto pelo núcleo familiar quanto pelos serviços de atenção básica à saúde”, reforça Alice.

A obtenção dos dados será realizada com mulheres com até 30 dias de pós-parto e idade igual ou superior a 18 anos. As participantes serão convidadas nas salas de espera das Unidades Básicas de Saúde (UBS) do Centro; Quarta Linha; Santa Augusta; Wosocris; Ana Maria e Mineiras, todas de Criciúma. A pesquisa inclui coleta de sangue venoso para análise de marcadores biológicos, gravação de voz com respostas a três perguntas simples, além da aplicação de questionários e escalas validadas.

“É um momento de grandes transformações físicas, emocionais e sociais. As mulheres enfrentam cansaço extremo, mudanças no corpo, nas rotinas, nas relações, e muitas vezes não têm rede de apoio. A romantização da maternidade e a cobrança por dar conta de tudo sozinha agravam o risco de adoecimento mental”, comenta Larissa.

A expectativa das pesquisadoras é que os resultados do estudo possam contribuir para melhorar o atendimento às mulheres no pós-parto, valorizando a saúde mental materna e sensibilizando profissionais da saúde sobre a importância de identificar sinais de sofrimento emocional nesse período.

“Mais do que números, o projeto busca escutar essas mulheres com empatia e oferecer caminhos para que elas possam se sentir cuidadas. Queremos unir ciência e acolhimento, contribuindo para uma sociedade que compreenda a complexidade da experiência materna e ofereça suporte real a quem cuida de uma nova vida”, conclui Alice.

 

 

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