Geral

Endometriose é doença crônica que atinge milhões de mulheres e desafia o diagnóstico precoce

Professora da Unesc explica detalhes da condição caracterizada por dores intensas e impacto na qualidade de vida.(Foto: Adobe Stock)

A endometriose é uma doença ginecológica crônica que atinge cerca de uma em cada dez mulheres no Brasil e segue sendo subdiagnosticada, muitas vezes por anos. Caracterizada pelo crescimento do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) fora da cavidade uterina, a condição pode causar dores intensas, alterações funcionais e impactos significativos na qualidade de vida.

De acordo com a ginecologista e professora do curso de Medicina da Unesc, Beatriz Milanesi, a doença tem início ainda na adolescência, logo após o começo da menstruação. Durante o ciclo menstrual, parte do fluxo pode refluir pelas trompas e atingir a cavidade abdominal. Em mulheres com falhas no sistema imunológico, conforme ela, esse material não é eliminado adequadamente, permitindo a implantação de pequenos focos da doença em órgãos como intestino, bexiga, ligamentos e peritônio.

“Inicialmente microscópicos e invisíveis aos exames de imagem, esses focos tendem a crescer com o passar do tempo, estimulados pelos hormônios e pelos ciclos menstruais. É uma doença progressiva. Quanto mais tempo passa sem diagnóstico e tratamento, maiores podem ser os danos causados”, explicou a especialista em entrevista à Rádio Unesc.

 

Dor como principal sinal de alerta

A endometriose pode provocar diferentes tipos de dor, sendo a cólica menstrual intensa e incapacitante o sintoma mais frequente e, geralmente, o primeiro a surgir. Outras manifestações incluem, dor pélvica crônica fora do período menstrual, dor ao evacuar, dor ao urinar e, em cerca de metade dos casos, dificuldade para engravidar.

Segundo a professora, adolescentes que apresentam cólicas severas, a ponto de faltar à escola ou necessitar de atendimento médico frequente, devem ser avaliadas com atenção. 

Apesar disso, a doença ainda leva, em média, sete anos para ser diagnosticada. A demora, conforme ela, está relacionada à normalização da dor feminina e à subvalorização dos sintomas. “Muitas mulheres convivem com a dor por acreditarem que é algo natural. Isso atrasa o diagnóstico e agrava o quadro”, destaca Beatriz.

 

Importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico tardio, de acordo com a médica, pode resultar em complicações mais graves, como aderências entre órgãos, obstrução de trompas, comprometimento intestinal ou urinário e necessidade de cirurgias mais extensas. A identificação precoce, por outro lado, permite preservar a fertilidade, reduzir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida.

“Os exames mais utilizados para investigação são a ressonância magnética e o ultrassom transvaginal com preparo intestinal, realizados por profissionais especializados. Além de confirmar a presença da doença, os exames ajudam a mapear a localização e a extensão dos focos, orientando a conduta clínica”, explica.

 

Tratamento é individualizado e multidisciplinar

O tratamento da endometriose é personalizado e depende da idade da paciente, intensidade dos sintomas, desejo reprodutivo e localização das lesões. “As abordagens incluem controle hormonal para bloquear a menstruação e a ovulação, além de mudanças no estilo de vida”, detalha.

A alimentação, conforme ela, tem papel fundamental no controle da doença. “Uma dieta anti-inflamatória, aliada ao cuidado com a microbiota intestinal, contribui para reduzir os estímulos inflamatórios associados à progressão dos focos. Por isso, o acompanhamento nutricional é parte essencial do tratamento”, alerta.

Em alguns casos específicos, como dor persistente apesar do tratamento clínico, infertilidade, obstrução de órgãos ou presença de grandes cistos ovarianos, a cirurgia pode ser indicada. Sempre que possível, o procedimento é realizado por via minimamente invasiva, o que favorece uma recuperação mais rápida.

Além do acompanhamento médico, o cuidado com a endometriose envolve uma equipe multiprofissional, incluindo fisioterapeutas pélvicas, nutricionistas e psicólogos. “É uma doença que afeta o corpo, a vida social, emocional e sexual da mulher. O tratamento precisa considerar todas essas dimensões”, reforça a professora.

Beatriz foi entrevistada no programa Check Up na Rádio Unesc sob comando da jornalista Elis Amorim. Confira na íntegra: v=eHv0gsm78_U&list=PL_heomuE0_s0I8_atT_sgZRk6Vvot4CdC&index=85

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *