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Unesc realiza o 1º Simpósio Intersetorial para Enfrentamento da Violência

Evento híbrido conta com mais de 300 inscritos de 16 estado da Federação(Fotos; Décio Batista/Agecom/Unesc)

A Unesc está sendo palco de um importante debate nacional sobre um tema crucial: a violência e seus determinantes sociais. Nessa quinta e sexta-feira (9 e 10/10), foi realizado no campus o primeiro Simpósio Intersetorial para Enfrentamento da Violência, um evento técnico-científico, formativo, focado em estratégias inovadoras e integrativas, que busca articular ensino, gestão, atenção à saúde e controle social.

O momento inaugural do simpósio foi marcado, na noite desta quinta-feira no Auditório Ruy Hülse, com a conferência: “Violência no Cenário Social de Saúde” e “Da Dimensão Nacional ao contexto Local”, com as convidadas Cheila Marina de Lima, consultora do Ministério da Saúde (MS) para vigilância e prevenção de violências e acidentes e Monique Meneses de Aguiar D’Avila, responsável técnica estadual pelo Agravo Violência Interpessoal/Autoprovocada da Gerência de Análises Epidemiológicas e Doenças e Agravos Não Transmissíveis da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE), vinculada à Superintendência de Vigilância em Saúde, da Secretaria de Estado da Saúde Santa Catarina.

Dando boas-vindas aos participantes em nome da reitora em exercício, Gisele Coelho Lopes, a pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão(Propriex), Vanessa Moraes de Andrade, exaltou a grandiosidade e importância do evento.

“Este primeiro evento se deve muito a todos os professores e alunos de iniciação científica que fazem parte desse grupo de pesquisa, que fazem acontecer, querem estudar, pesquisar e querem entender mais para se tornarem profissionais melhores no futuro. A grande participação mostra a importância de ter um evento que junta todos os setores para debater um tema tão sério como este. O Simpósio já começou grande e será referência daqui para a frente. Quero que saibam, que nós, enquanto uma Universidade Comunitária, estaremos sempre apoiando e louvando um esse trabalho que nos deixa orgulhosos por estar acontecendo aqui.”, destacou a pró-reitora.

Para a presidente da comissão organizadora do Simpósio, Vanessa Iribarrem Avena Miranda, a proposta uniu a comunidade acadêmica, gestores e profissionais de diferentes setores como saúde, educação, assistência social, e segurança pública para debater o assunto.

“A ideia é que a partir daqui a consigamos juntar esforços, entender melhor o fluxo, a rede, para o enfrentamento dos diversos tipos de violência: contra a mulher, idoso, criança, homem, todos os tipos de violência, sem discriminação, da violência doméstica e da patrimonial. O evento já é um sucesso e devido ao seu formato híbrido, que deu bastante visibilidade, com a participação de mais de 300 inscritos de 16 estados”, avaliou Vanessa

Diálogo e Ciência para Políticas Públicas mais eficazes

Conforme a palestrante Cheila, a missão no evento foi fazer uma relação entre a violência e as políticas sociais em nível nacional.

“Trouxe na minha participação o cenário epidemiológico de violência no Brasil, o que que tem de característica nessas violências, sejam elas, violência urbana, pessoal e as interpessoais. Dei foco na violência autoprovocada, especialmente em suicídio com adolescentes. Esse é um tema que tem nos preocupado, especialmente nos últimos anos. Ao passo que algumas faixas etárias têm reduzido o suicídio e a tentativa, em adolescentes, têm aumentado e com isso temos alguns marcadores importantes nos quais precisamos atuar. É importante mencionar que quando a instituição acadêmica traz esse tema para dentro do campus, isso demonstra um cenário de compromisso com a formação profissional”, comentou a palestrante.

Para a representante de Santa Catarina, enfermeira Monique, foi uma grande satisfação e honra estar na Universidade tratando desse assunto tão pertinente nos dias atuais.

“Mais do que falar sobre violência, precisamos falar sobre saúde, sobre prevenção, promoção e pensar em acolhimento, porque cada caso de violência é uma história, um sonho e a Universidade está aqui hoje, trazendo em pauta esse tema, pensando em estratégia. Somente por meio da capacitação profissional, através da articulação intersetorial, através da troca de saberes, é possível a prevenção da violência. Hoje, a violência é considerada uma epidemia mundial, com isso a Organização Mundial da Saúde (OMS), vem trabalhando desde o ano 2000 com estratégias para diminuir os registros de agressões. E a Unesc trazendo isso para discussão é um grande avanço, não só no campo acadêmico, mas no campo social”, observou Monique.

A programação do Simpósio foi diversificada, incluindo conferências, mesas redondas, oficinas temáticas e apresentações de trabalhos científicos. O evento reuniu profissionais, pesquisadores, estudantes e gestores de diversas regiões do país, criando um ambiente propício para a troca de conhecimentos e experiências.

Um dos destaques foi a integração de experiências inovadoras e dados inéditos de pesquisas nacionais sobre violência. A proposta é que o simpósio contribua diretamente para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes, fundamentadas em evidências científicas e na essencial colaboração intersetorial.

A primeira edição do Seminário é uma promoção do Grupo de Pesquisa Violência, Desigualdade e Saúde (ViDaS), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSCol) da Universidade, e tem como objetivo central qualificar as estratégias de cuidado, prevenção e resposta à violência no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), promovendo diálogos e a integração entre diferentes setores.

O evento está alinhado a diretrizes nacionais e globais, como a Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (PNCTIS) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), reforçando o compromisso da UNESC com a promoção da saúde, equidade e justiça social. O financiamento do Simpósio foi obtido através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela Chamada nº 12/2024.

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