Clínicas Integradas

Carreata Azul na Unesc reforça união entre família e o ensino na inclusão do TEA

Evento que ocorreu na tarde desta quarta-feira (2/4) reuniu cerca de 200 pessoas. (Fotos: Everton Horácio/Agecom/Unesc)

“Quando a família e a escola andam juntas, as peças se encaixam”. A frase estampada em um dos ônibus que participaram da Carreata Azul na Unesc, nesta quarta-feira (2/4), sintetiza um dos pilares fundamentais para uma sociedade mais inclusiva: a união entre família e escola. O evento, realizado no Dia Mundial de Conscientização do Autismo, reuniu diversas instituições e entidades comprometidas com a causa, destacando a importância do respeito, da informação e da empatia.

A carreata teve início na Associação de Amigos do Autista (AMA), seguiu em direção à Unesc e finalizou com um bate-papo com estudantes e egressos da Universidade com Transtorno do Espectro Autista (TEA), proporcionando um espaço de troca e conscientização.

Evento que ocorreu na tarde desta quarta-feira (2/4) reuniu cerca de 200 pessoas. (Fotos: Everton Horácio/Agecom/Unesc)

A coordenadora do Centro Especializado em Reabilitação (CER) da Unesc, Tatiane Macarini, ressalta que o Dia Mundial da Conscientização do Autismo é apenas uma data simbólica dentro dos 365 dias do ano. 

“Hoje é um dia especial para reforçar a importância da empatia e da conscientização. Informação gera respeito, e o respeito gera mais empatia. Tudo está interligado. Quando conhecemos as peculiaridades das pessoas, conseguimos respeitá-las, acolhê-las e incluí-las. O autismo não tem uma única aparência, personalidade ou modelo. São indivíduos com características próprias e maneiras diferentes de interagir com o mundo. Precisamos adaptar nossa convivência para que todos tenham espaço na sociedade”, enfatiza.

Papel do CER

Tatiane também ressalta o papel fundamental do CER da Unesc, que atua como um serviço de referência no processo de avaliação e diagnóstico do TEA. “Não se trata apenas de entregar um laudo, mas de garantir que essas pessoas tenham acesso aos seus direitos e possam ocupar um lugar digno na sociedade. A Universidade, em parceria com diversas entidades, compõem uma rede de atenção essencial para esse público. Além disso, com o apoio da reitora Luciane Ceretta, estamos contribuindo para o Censo sobre autismo junto à Assembleia Legislativa, trazendo dados fundamentais para a criação e aprimoramento de políticas públicas inclusivas”, cita a coordenadora.

A carreata, que contou com cerca de 50 veículos entre carros, ônibus e motos, percorreu as ruas de Criciúma, chamando a atenção para a causa. O evento contou ainda com uma interação especial entre o público e cães da Polícia Militar. Diversas entidades também participaram da ação, incluindo a Cruz Vermelha, Defesa Civil, agentes de trânsito, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Polícia Científica, Polícia Militar Rodoviária, Polícia Civil, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção Criciúma, Ferrovia Tereza Cristina, bem como o Laboratório de Pesquisa em Autismo e Neurodesenvolvimento (LAND) da Unesc, que distribuiu biscoitos temáticos para os participantes e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) que também contribuiu na organização do evento na Universidade.

Histórias que inspiram

Durante a tarde, a programação incluiu um bate-papo com autistas que estudam ou se formaram na Unesc. Tatieli Bertoldo, estudante de Psicologia, destacou que a conscientização precisa ir além da infância. “Não adianta olhar apenas para as crianças autistas, é preciso lembrar que essas crianças crescem e precisam de oportunidades para ocupar espaços na sociedade”, diz.

Ana Paula Rabelo Gonçalves compartilhou sua experiência de vida e, muitas vezes, a dificuldade de encontrar trabalho. “Meu hiperfoco sempre foram os animais. Sempre fui muito hiperativa. Cresci sem diagnóstico e encontrei apoio na minha família. Hoje sou professora e percebo a importância da troca e do acolhimento”, fala.

Outro relato marcante foi a de Jaci do Nascimento, que usa a arte para expressar seus sentimentos. Durante o encontro, ela apresentou um poema autoral que reflete os desafios de se relacionar com o mundo. “A minha sinceridade muitas vezes não é bem-vinda, meus pensamentos são muito específicos e, novamente, me vejo sozinha. Mas seguimos resistindo e buscando espaços onde sejamos compreendidos”, declara.

Marco Felipe Zanchetta Moreno Guidio Biondo, estudante do curso de Ciências Econômicas, também usou o microfone para relatar muitos momentos vividos até o diagnóstico que saiu quando tinha seis anos. “Esse encontro é muito bom para debatermos e também nos ajudarmos”, comenta.

“Ouvir quem vive essa realidade é essencial. Precisamos promover iniciativas como essa mais vezes, para que a inclusão seja um compromisso diário”, reforçaTatiane.

 

A Importância da Conscientização

O presidente da Associação de Amigos do Autista (AMA), José Augusto Freitas, enfatizou o impacto da Carreata Azul como um movimento de visibilidade e quebra de preconceitos. “Hoje é um dia de carreata silenciosa, mas ao mesmo tempo o dia em que mais fazemos barulho para sensibilizar a sociedade sobre o autismo. O objetivo é instigar as pessoas a entenderem melhor essa condição e promover a aceitação”, ressalta.

A mobilização também contou com a participação de Almir de Souza, da Cruz Vermelha, que destaca a relevância da ação conjunta entre diferentes instituições. “O autismo não é um mundo à parte, ele faz parte do nosso mundo. E eventos como este são essenciais para lembrar que todos nós temos um papel na construção de uma sociedade mais inclusiva”, relata.

“Nosso papel é contribuir e mostrar o que temos a oferecer, e essa carreata é uma forma de chamar atenção para a causa. Se o objetivo era sensibilizar, conseguimos cumpri-lo”, afirma Souza.

Ele salienta a mobilização das forças de segurança e o cuidado na organização do comboio. “Foram mais de 15 instituições envolvidas, com viaturas de segurança pública, todas com giroflex ligados. Essa foi uma decisão pensada para garantir uma participação respeitosa. Tivemos a presença de forças vindas de diferentes cidades, como a Polícia Rodoviária Federal de Tubarão, reforçando ainda mais a importância dessa ação”, relata.

 

Poesia 

Inimigo

Quando seu inimigo não é de longe, é difícil olhar para ele.

Mas todo dia ele está ali. Ele é você, suas palavras, seu jeito.

Socialmente, você não fala nada útil e se isola dentro de si.

Se isola por não corresponder à peça que foi programada para ser desse jeito.

Ah, desespero, não sou bom para ser aceito. Não sou bom para continuar presente. 

Não sou bom com imprevistos. E tudo vira um grande acidente.

Morro na cacofonia social, maldita angústia frequente, mas a solidão me corrói. 

Angústia de ser insuficiente e não sei escolher as palavras certas.

Minha sinceridade é mal-vinda, meus pensamentos são muito específicos e novamente sozinho eu fico.

Sentimentos sós são validados se forem os dos outros.

E mesmo assim, meu corpo grita socorro, mas sei que meu grito será sufocado e afogarei sozinho em lágrimas.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *