
Em alusão ao Dia Internacional de Luta Contra a Discriminação Racial, foi lançada a Liga Acadêmica de Psicologia, Consciência e Identidade Negra (Lapcin), da Unesc. O evento contou com a presença do professor doutorando, Douglas Vaz Franco, que promoveu um bate-papo enriquecedor sobre a importância da luta antirracista na saúde mental, acompanhado de um café de integração.
A coordenadora da Lapcin, professora doutoranda, Janaína Damásio Vitório, enfatiza que a liga será um espaço voltado para compreender a subjetividade da população negra, suas vivências e desafios socioculturais. Segundo ela, é essencial que os futuros profissionais de Psicologia tenham uma compreensão profunda do racismo como um sistema de opressão que afeta diversas áreas da vida, desde o acesso à educação e saúde até as interações interpessoais.
“Nosso compromisso enquanto professores do curso de Psicologia da Unesc é formar psicólogos qualificados para lidar com a identidade negra e suas vivências diárias. Criar um espaço de escuta e acolhimento para as violências oriundas do racismo é fundamental, considerando também as interseções de raça com fatores como gênero, classe social, orientação sexual e identidade de gênero, pois essas interseções amplificam as experiências de discriminação e seus impactos na saúde mental”, afirma Janaína.
O presidente da liga e acadêmico da 3ª fase de Psicologia, Elias Bregatto, ressalta a importância da nova entidade no aprofundamento dos estudos sobre o impacto do racismo na saúde mental da população negra e na formação de profissionais qualificados para atender essa demanda de forma ética, crítica e culturalmente sensível. “A Lacpcin surge para contribuir com uma prática psicológica antirracista e comprometida com a equidade racial”, enfatiza.
Espaços seguros
Já Douglas Vaz Franco refletiu sobre a necessidade de espaços seguros para que acadêmicos negros possam discutir as implicações raciais na Psicologia e construir uma abordagem psicológica não racista. Ele questionou a falta de referências negras no currículo acadêmico e a ausência de disciplinas voltadas à saúde mental da população negra. “Pensar uma clínica racializada é pensar a história geopolítica do nosso país e do mundo, que estruturou de forma desigual quem deve ser considerado humano, civilizado, cidadão e sujeito de direitos. A Psicologia não pode universalizar sua atuação, pois, se assim o fizer, estará reproduzindo a patologização das identidades negras”, afirmou.
O evento contou ainda com a presença da presidente do Conselho de Promoção da Igualdade Racial (Compirc) e da ONG de Mulheres Negras MUNMVI, Maria Estela Costa, além do presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB subseção Criciúma, Jorge Miguel Nascimento Guerra.
Informações sobre a liga podem ser conferidas no perfil oficial do Instagram: @lapcin.unesc.