
Na Unesc, o período de férias acadêmicas não significa pausa no aprendizado. Pelo contrário, é uma oportunidade para fortalecer a qualificação e o compartilhamento de experiências entre os professores. Durante a transição entre semestres, a Universidade promove iniciativas especiais, como o Programa de Formação Permanente de Docentes, o que reafirma o compromisso com a excelência no Ensino.
Na noite dessa terça-feira (11/2), o Programa promoveu um dos momentos mais esperados: o encontro de docentes que contou com a palestra do professor doutor Ricardo Limongi França Coelho. Convidado para aprofundar as discussões sobre as implicações da Inteligência Artificial na educação, ele abriu o evento, que ocorreu no Auditório Ruy Hülse, com o compartilhamento de reflexões sobre o tema.
No encontro, a reitora Luciane Bisognin Ceretta enfatizou a relevância da Formação Permanente que permite refletir sobre a prática docente e os inúmeros elementos que a compõem.
“O tema nos convida a refletir sobre uma realidade que não podemos ignorar, nem rejeitar, mas que exige compreensão e regulação para que possamos utilizá-la da melhor forma possível. Essa foi a intenção ao escolhê-lo dentro da Assessoria Pedagógica”, afirmou Luciane, relembrando os conceitos máximos conquistados pela Universidade em 2024.
Para 2025, ela salientou a busca pela excelência como compromisso coletivo. “Queremos que a excelência esteja presente em tudo o que fazemos e na forma como vivemos o campus. Por isso, os convido a firmarmos, juntos, um pacto pela excelência em todas as dimensões e ações. Metas, resultados e indicadores só serão alcançados por meio das pessoas. Cuidemos uns dos outros e das nossas relações”, falou.
“Temos indicadores extraordinários em diversas áreas e somos conceito máximo no Ministério da Educação (MEC). Nos destacamos academicamente. Que possamos, também, nos destacar na nossa capacidade de compreensão mútua e de construção coletiva. Que juntos possamos conquistar ainda mais espaços, projetos e resultados para a nossa Universidade”, acrescentou.
Além do ensino
Segundo a diretora de Ensino Presencial, Gislene Camargo, o tema foi escolhido devido à grande procura por formações na área em 2024. “Durante todo o ano, promoveremos uma diversidade de oficinas, palestras e minicursos. Isso porque ser docente na Unesc vai além de ensinar. É estar conectado à nossa proposta pedagógica, em constante evolução e comprometido com a excelência”, enfatizou.
Novos docentes também serão acolhidos em oficinas específicas, essenciais para orientá-los sobre a dinâmica da Graduação Multi. “Preparamos uma recepção especial para esses professores, pois acreditamos na importância de um acolhimento afetuoso e integrador”, citou Gislene.
IA é meio e não fim
O palestrante ressaltou que a Inteligência Artificial deve ser vista como um meio, e não um fim. Segundo ele, o verdadeiro protagonista em sala de aula é a educação e o conhecimento construído ao longo do processo de aprendizagem. No entanto, destacou preocupação com o fato de grande parte das discussões estarem centradas na forma de integrar a IA, e não em priorizar como o conhecimento está sendo transmitido aos estudantes.
Para exemplificar a rápida adoção da tecnologia, o palestrante comparou o tempo necessário para que diferentes plataformas atingissem um milhão de usuários. Enquanto a Netflix levou três anos e meio para alcançar essa marca, o ChatGPT atingiu o mesmo número em apenas cinco dias. Ele ainda apontou que muitos jovens em sala de aula já incorporam a ferramenta no dia a dia, substituindo a tradicional busca no Google por perguntas diretas à IA.
Diante desse cenário, o palestrante apresentou um novo desafio: a forma como os usuários interagem com a tecnologia. De acordo com ele, uma parcela significativa dessas milhões de pessoas acessa a IA diariamente, mas nem sempre compreende plenamente o que está perguntando ou como interpretar as respostas. Esse, segundo ele, é um ponto que merece uma reflexão mais profunda.
O palestrante destacou que a responsabilidade pelo uso adequado da Inteligência Artificial recai sobre o próprio usuário. Segundo ele, o grande desafio é que a IA se torna excessivamente facilitadora, ao entregar soluções prontas que, embora convenientes, podem trazer uma série de problemas.
Ele citou como exemplo o uso frequente da IA para tarefas simples, como redigir e-mails. “Muitos já recorrem ao ChatGPT até para escrever um e-mail solicitando algo a alguém. E isso, embora pareça inofensivo, pode trazer consequências preocupantes”, alertou.
Estudos na área de neurociência, segundo o palestrante, indicam que a próxima geração pode enfrentar uma redução de até 30% no vocabulário. Ele ressaltou que essa mudança já pode ser observada na forma como nos comunicamos, tanto com crianças quanto em sala de aula. “Muitas palavras que faziam parte do vocabulário de gerações anteriores na adolescência simplesmente deixaram de ser usadas”, concluiu.
Segundo ele, as novas tecnologias nunca surgem isoladamente, mas fazem parte de um conjunto de transformações. Como destaca Alvin Toffler: “Mudanças tecnológicas são sempre acompanhadas por mudanças sociais, políticas e culturais”.
Continuação da Formação Permanente
Na abertura oficial, também estiveram presentes a Pró-Reitora de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão da Universidade, Gisele Coelho Lopes; a Pró-Reitora de Ensino Graziela Amboni e o Pró-Reitor de Administração e Finanças, José Otávio Feltrin.
O Programa de Formação Permanente segue até quinta-feira (13/2) com diversas atividades. Após essa fase inicial, os encontros continuarão semanalmente, às quintas-feiras, das 16h às 18h, promovendo um espaço contínuo de aprendizado e desenvolvimento profissional.