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O sonho paralímpico de um acadêmico da Unesc

João Paulo onde mais gosta de estar, nas piscinas / Foto: Divulgação

Em maio de 2012, o menino João Paulo Santiago Gregorini, então com 13 anos, estreava nos Jogos Escolares Paradesportivos (Parajesc) de Santa Catarina. E logo na primeira competição, três medalhas de ouro. Quase uma década depois, adolescência vencida e persistência posta à prova, João Paulo é presença marcante na Unesc, onde acalenta dois sonhos: o do diploma em Direito e a vaga nos Jogos Paralímpicos. A chance é ir a Paris, em 2024.

“Sempre foi o meu maior sonho, chegar numa Paralimpíada”, destaca. João Paulo é acadêmico de Direito da Unesc “a caminho da sétima fase”, como gosta de dizer. Envolvido nas atividades universitárias, o nadador é integrante do departamento de esportes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e do departamento de Cultura e Diversidade do Centro Acadêmico de Direito. “E sou bolsista da Bolsa de Desempenho Esportivo representando a Unesc em diversas competições”, detalha.

João Paulo com as medalhas do último Parajasc

Na mais recente delas, João Paulo mostrou que segue em forma. Na última semana, integrou o time da Fundação Municipal de Esportes (FME) que participou dos Jogos Paradesportivos de Santa Catarina (Parajasc). O nadador da Unesc caiu na piscina em Indaial para cinco competições e voltou com cinco medalhas.

“Participei dos Parajasc representando Criciúma, competi cinco provas em Indaial e consegui uma medalha de ouro e quatro de prata. Essa competição foi muito importante para concluir esse ano muito difícil, cheio de incertezas, não sabíamos se teríamos competições, foi um ano de tentar treinar muito bem para chegar nas possíveis competições da melhor forma possível”, salienta. Neste Parajasc, João Paulo foi ouro nos 100 metros costas e prata nos 50 e 100 metros livre, 100 metros peito e 200 metros medley.

Cadeirante desde os 6 anos, João Paulo nunca se limitou às dificuldades. “Eu nasci com mielomelingocele e hidrocefalia. Minha coluna e bexiga foram atingidas, e preciso de sonda para urinar. Com 6 anos tive minha primeira cadeira de rodas. No começo, foi difícil”, reconhece. Antes da cadeira, João Paulo engatinhava e usava um carrinho para se locomover.

No período escolar, veio o primeiro contato com o esporte. “Eu era sempre incluído por meus professores de Educação Física”, recorda. Daí veio a oportunidade de começar a nadar em 2011. No ano seguinte, a estreia em competições com as medalhas referidas, os três ouros na estreia no Parajesc de 2012: primeiro lugar nos 50 metros nas modalidades craw, costas e peito.

Nadador participou do revezamento da tocha olímpica em Criciúma, em julho de 2016

“Teve um período em que eu frequentei o Hospital Sarah Kubitschek, que é referência nesses tratamentos, e lá vi que as minhas dificuldades não são as maiores. E lá aprendi a fazer muitas coisas, que até então eu não fazia, e minha vida começou a ser mais independente”, comenta. Foi no Sarah em Brasília, também, onde João Paulo teve seus primeiros contatos com piscinas. Ali nasceu a paixão.

“A natação é a minha vida”, não se cansa de dizer o jovem esportista, que continua com o apoio firme dos seus pais, grandes incentivadores desde sempre, para chegar no maior sonho. “Quando eu comecei e na estreia ganhei minhas três primeiras medalhas, já foi um sonho realizado. E senti sempre que poderia chegar mais longe. Sigo com minha dedicação diária e meus treinos e o grande sonho continua, chegar nas Paralimpíadas”, completa.

Para tanto, 2022 é um ano decisivo. “Fechei 2021 muito bem, com essas medalhas no Parajasc. Mas sempre quero resultados melhores. Competi os Jogos Paralímpicos Universitários esse ano em São Paulo, com resultados muito bons. Agradeço sempre à Unesc pelo apoio, que está sendo essencial”, assinala.

Em uma das muitas conquistas nacionais, em 2017

Mas a luta continua. “E estou lutando com todas as minhas forças para chegar na Paralimpíada. Ano que vem eu estou esperando uma reclassificação funcional. A natação paralímpica funciona com a divisão das deficiências em classes funcionais. A minha classificação é S6, mas essa minha classificação está antiga, foi feita em 2017 e o sistema mudou em 2018”, observa.

O trabalho, agora, é para conseguir a reclassificação de categoria, o que fará aumentar as chances de João Paulo chegar à Paralimpíada. “Estou sendo um pouco prejudicado por essa reclassificação, que alguns outros atletas já fizeram. Busco competições internacionais no ano que vem para chegar mais perto do meu grande objetivo, o índice paralímpico para chegar em Paris 2024”, finaliza.

Ouça mais da trajetória e dos sonhos de João Paulo no podcast Acontece no Campus, produção da Unesc Rádio:

 

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