Extensão

Inclusão em pauta: roda de conversa na Unesc debate inserção da pessoa autista no mundo do trabalho

O encontro ocorreu na noite dessa segunda-feira (30/6), no Auditório Edson Rodrigues, na Universidade. (Fotos: Daniela Savi/Agecom/Unesc)

O Auditório Edson Rodrigues, no Bloco P da Unesc, foi cenário de um encontro marcado pelo diálogo, empatia e construção coletiva de saberes. A roda de conversa com o tema “Inserção da Pessoa Autista no Mundo do Trabalho” reuniu profissionais de diversas áreas para discutir os desafios e avanços na promoção da inclusão e diversidade no ambiente profissional. O encontro ocorreu na noite dessa segunda-feira (30/6) com a presença de professores e convidados.

Com mediação da coordenadora macrorregional da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência do Sul de Santa Catarina e integrante da Comissão Técnica da Linha de Cuidado à Pessoa com Deficiência Mental e TEA do estado, Fernanda Casagrande Velho Mattioli, o evento proporcionou um espaço de escuta qualificada e troca de experiências.

A roda contou com a participação de nomes com trajetórias diretamente ligadas à causa, como a professora da educação básica e autista, Ana Paula Rabello, que trouxe um relato sobre sua vivência na escola e os desafios enfrentados no dia a dia profissional.

“Esse é um tema muito discutido atualmente, mas ainda falamos pouco sobre a inserção da pessoa autista na vida adulta, especialmente no mercado de trabalho, e isso é fundamental. Todas as crianças irão crescer, e é essencial que estejam preparadas e incluídas na sociedade como um todo”, comentou ela.

“Por isso, trazer essa discussão para o nosso primeiro Fórum Municipal sobre o Transtorno do Espectro Autista de Criciúma, agora reconhecido oficialmente por lei é tão importante. Ao colocar em pauta, estamos dando visibilidade a uma necessidade real e urgente. Queremos que, a partir dessa reflexão, sejam desenvolvidas mais políticas públicas que garantam uma inclusão efetiva. Falo com propriedade porque sei o que é tentar entrar no mundo do trabalho sem um diagnóstico, e também sei como é tentar fazer isso já adulta, com o diagnóstico em mãos. São desafios diferentes, mas igualmente difíceis. Recentemente, inclusive, passei por uma situação que evidencia isso”, reforçou ela.

A representante do Instituto de Educação Especial Diomício Freitas, Juliana Bialeski, compartilhou práticas bem-sucedidas na inclusão de jovens e adultos com deficiência intelectual no mercado de trabalho, apontando caminhos possíveis e estratégias de adaptação.

“É muito gratificante fazer parte desse processo. Quando essas pessoas chegam até nós, passam por um período de preparação e aprendizagem, até estarem prontas para serem encaminhadas ao mercado. Mas, infelizmente, muitas acabam desistindo por falta de acolhimento. As equipes não estão preparadas, os ambientes não são adaptados, e isso dificulta a permanência”, relatou Juliana.

O médico neurologista e professor da Unesc, Eraldo Belarmino Júnior, trouxe uma perspectiva clínica e humanizada sobre o TEA, reforçando a importância da articulação entre saúde, educação e trabalho na garantia dos direitos das pessoas com autismo.

Já a advogada e membro da Comissão da OAB em Defesa das Pessoas com Deficiência, Franciele Gross Augusto, abordou a legislação vigente e os desafios jurídicos enfrentados por pessoas autistas na busca por oportunidades dignas e respeitosas de inserção laboral.

Já a doutora em Ciência Política, com atuação no terceiro setor e em projetos sociais, Sany Mazzuchetti, trouxe a perspectiva das políticas públicas e da responsabilidade coletiva na construção de uma sociedade mais inclusiva.

O vereador Luiz Fontana também esteve presente no evento e destacou a importância do projeto de lei aprovado no Legislativo, que institui o Fórum Permanente Municipal sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) em Criciúma. A iniciativa tem como objetivo promover a articulação entre diferentes setores da sociedade e incentivar a participação social na discussão, elaboração e acompanhamento de políticas públicas voltadas às pessoas com TEA e suas famílias.

Na Associação de Pais e Amigos de Autistas (AMA), segundo a diretora Fabiana Cardoso, são atendidas pessoas com autismo de todas as idades. “O TEA é complexo, com muitas especificidades. Para nós, da Assistência Social, o maior desafio nem sempre é preparar a pessoa com autismo, mas muitas vezes, trabalhar com as famílias. Em certos casos, é mais difícil sensibilizar os familiares do que o próprio autista. E é justamente essa sensibilização o primeiro e mais importante passo do nosso trabalho”, comentou.

Dando o devido enfoque nas falas o professor da Unesc do curso de psicologia e coordenador do Programa Acolher de Saúde Mental dos acadêmicos, colaboradores e Colégio Unesc Zolnei Vargas, destacou ainda o trabalho desenvolvido na Universidade por meio da Direção de Extensão e Ação Comunitária, trazendo que as ações da diretoria alcança diretamente os espaços comunitários como meio de varias atividades de inclusão Comunitária e territorial.

“Estamos sempre presentes nos territórios, contribuindo para o retorno efetivo da universidade à comunidade local. O mesmo trouxe sobre o projeto: Autismo: Um Abraço Aquele que Cuida que ocorre todas as quartas-feiras pela manhã nas Clínicas Integradas. Hoje o projeto tem um fluxo bem definido e trás a comunidade para dentro da Unesc

A partir dos atendimentos coletivos realizados com os pais atípicos inscritos no projeto, durante as atividades quando se percebe alguma demanda psicológica e emocional, os acadêmicos do estágio em Psicologia Social – B  junto a psicóloga responsável realizam o acolhimento psicossocial, que é diferente de psicoterapia e dando os devidos encaminhamentos ao preenchem uma ficha psicossocial. Com base nessa compreensão técnica eles comunicam a gestão do Acolher que entra em contato com a Clínica de Psicologia da Unesc para buscar o acolhimento necessário conforme parceria estabelecida dando sequência a psicoterapia, explicou.

Segundo ele, a prioridade do projeto é o acolhimento de pais atípicos, especialmente de crianças com TEA. A escolha técnica permite um trabalho mais seguro e de maior qualidade. “Durante os encontros, especialmente nos momentos informais de paradas como o café, os pais compartilham experiências e convidam outros para participar do projeto. Já recebemos novos integrantes a partir dessas conversas espontâneas entre os pais atípicos. Isso mostra a força e a relevância dessa rede de apoio e troca coletiva que estamos construindo”, finalizou Vargas. O evento teve apoio da Diretoria de Extensão, Cultura e Ações Comunitárias da Unesc.

 

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