Pós-Graduação

Jornada de Psicomotricidade na Unesc debate impactos da era digital

O evento discutiu os efeitos do uso excessivo de telas no desenvolvimento humano e destacou a expansão da psicomotricidade no Brasil e no mundo. (Fotos: Daniela Savi/Agecom/Unesc)

A Unesc recebeu neste sábado (30/8) a Jornada de Psicomotricidade e Ciências Afins, que teve como tema central “A era digital e o desenvolvimento humano: corpos aprisionados”. Realizado no Auditório Ruy Hülse, com participação presencial e online, o encontro reuniu especialistas, professores e estudantes para debater os efeitos da era digital no desenvolvimento humano e o papel da psicomotricidade nesse cenário.

Entre os principais pontos de debate esteve o impacto do excesso de telas no desenvolvimento humano. Estudos científicos apontam que a exposição prolongada a dispositivos digitais pode afetar a linguagem, a cognição e as habilidades socioemocionais, além de estar associada a distúrbios do sono, obesidade, ansiedade e depressão.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), crianças de até dois anos não deveriam ter contato com telas. No Brasil, porém, 14% delas já utilizam dispositivos digitais nessa faixa etária, muitas vezes estimuladas pela falta de informação dos pais. Esse hábito pode provocar isolamento e atrasos no desenvolvimento, reforçando a urgência de novas estratégias de educação e cuidado.

A psicomotricidade em expansão

A psicomotricidade é justamente uma das áreas que se coloca como resposta a esses desafios. Reconhecida oficialmente no Brasil como profissão desde 2019, com Código Brasileiro de Ocupações (CBO), ela atua tanto na educação quanto na clínica, acompanhando pessoas em todas as fases da vida, de bebês ainda no período gestacional até idosos.

Embora seja relativamente nova no país, a prática é consolidada em diferentes lugares do mundo, especialmente na França e em outros países da Europa, além de vizinhos como Uruguai e Argentina.

“A psicomotricidade não se concentra nas dificuldades, mas no potencial do indivíduo. A partir desse olhar positivo, busca desenvolver habilidades e promover uma evolução global, integrando aspectos cognitivos, motores, socioafetivos e valores humanos como respeito e solidariedade”, explicou Celso Mastracusca, especialista em Educação Psicomotora e um dos organizadores da Jornada.

“Nossa proposta é produzir conhecimento com qualidade e leveza, refletindo sobre como a psicomotricidade pode contribuir em uma sociedade cada vez mais tecnológica, mas que também enfrenta os impactos negativos do uso excessivo das telas”, pontuou.

Na educação, a atuação vai da educação infantil ao Ensino Médio, com destaque no acompanhamento de crianças, mas também junto a adolescentes. Já na área clínica, o psicomotricista contribui em casos de dificuldades de aprendizagem, transtornos do desenvolvimento e situações relacionadas à neurodiversidade.

Histórias e trajetórias

O professor Gildo Volpato relembrou sua própria trajetória ligada à psicomotricidade e à Unesc. “A minha primeira especialização, em 1986, foi em psicomotricidade. Essa decisão mudou a minha vida, pois abriu as portas para que eu me tornasse professor universitário. A partir daí, pude construir minha carreira e realizar tantos sonhos dentro da Instituição. Hoje, num momento em que crianças e jovens passam tanto tempo diante das telas, a psicomotricidade se torna ainda mais essencial para resgatar o movimento, as relações humanas e a qualidade de vida”, lembrou Volpato.

O presidente da Associação Brasileira de Psicomotricidade – Capítulo Regional Sul, Fabiano Bernert, destacou o papel do evento no cenário nacional. “Nossa proposta é promover conhecimento com qualidade, mas também com leveza. Este encontro, em parceria com a Unesc e a Ser Global, serve como um pré-Congresso, preparando o debate para o congresso nacional e internacional que a Associação realiza este ano. O tema é instigador. Vivemos numa sociedade tecnológica, que tem seus aspectos positivos, mas enfrenta os impactos negativos do excesso de telas, que distancia das relações humanas. O grande desafio é refletir sobre como a psicomotricidade pode contribuir com a sociedade”, enfatizou Bernert.

Nova pós-graduação na Unesc

Além dos debates, a Unesc anunciou o lançamento da pós-graduação Lato Sensu em Psicomotricidade, voltada a profissionais das áreas da Educação e da Saúde. O curso é destinado a graduados e concluintes de Pedagogia, Licenciaturas, Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Psicologia, Psicopedagogia, Terapia Ocupacional, entre outras.

O objetivo é formar especialistas capacitados a atuar em dificuldades emocionais, psicomotoras e de comunicação que impactam a aprendizagem, além de oferecer ferramentas para o desenvolvimento integral dos indivíduos.

Segundo o coordenador de Pós-Graduação Lato Sensu da Unesc, Julio César Zilli, o novo curso responde a demandas atuais da sociedade. “A temática é fundamental para a dinâmica do nosso desenvolvimento e trazê-la para a Universidade, como polo de estudo e aprofundamento, é extremamente relevante. Incorporá-la desde a pós-graduação reforça nosso compromisso com a qualidade acadêmica, que é ponto pacífico neste novo projeto da Pós-Unesc. Nosso papel é alinhar a excelência dos cursos às necessidades da região, do estado e do país, sempre com a qualidade como pilar central”, disse Zilli.

O encontro foi promovido pela Associação Brasileira de Psicomotricidade – Capítulo Regional Sul, em parceria com o grupo Ser Global e a Unesc.

 

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