Projetos de Extensão

Projeto da Unesc realiza imersão técnica para avançar estudo sobre botos e pesca cooperativa

Intercâmbio no Ceclimar, da UFRGS, fortalece monitoramento, ciência cidadã e proteção do patrimônio socioambiental ligado à interação entre botos e pescadores. (Fotos: Divulgação)

O Projeto Botos do Araranguá, da Unesc, realizou uma visita técnica ao Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos, unidade da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Imbé. A agenda integrou o projeto de Extensão “Cultura Oceânica e Economia Azul: Caminhos para o Empreendedorismo Sustentável”, e concentrou esforços na troca de metodologias e indicadores de monitoramento de botos.

A comitiva reuniu seis integrantes, entre acadêmicos de graduação e pós-graduação do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Ecologia Humana e Conservação da Biodiversidade Marinha (GIPEMar). “O foco central foi a aproximação técnica com o Projeto Botos da Barra, coordenado pelo professor Ignacio Moreno, especialmente no estudo da pesca cooperativa entre botos e pescadores artesanais”, relata o coordenador da iniciativa, Rodrigo Machado.

“Durante as manhãs, as equipes conduziram saídas de campo no estuário do rio Tramandaí para observar os animais, dimensionar padrões de uso de habitat e analisar a dinâmica de interação com pescadores locais. O trabalho incluiu comparação de protocolos de monitoramento e escuta de conhecimento tradicional, incorporado como variável relevante no arranjo de dados científicos”, acrescenta.

Seis pescadores artesanais vinculados ao projeto catarinense também participaram das atividades para acompanhar as práticas de pesca cooperativa com os botos da região, o que permitiu contraste de comportamentos, respostas e estratégias observadas nos dois territórios.

Integração entre Pesquisa, Extensão e ciência cidadã

Os grupos ainda apresentaram resultados, linhas de pesquisa e frentes de atuação em andamento. O encontro também estruturou um planejamento de ações conjuntas de Pesquisa, Extensão e conservação, com ênfase na ampliação da cultura oceânica e no papel da ciência cidadã.

“A troca direta de campo permite calibrar métodos, distinguir padrões de comportamento e fortalecer a produção de indicadores comparáveis entre regiões. A ciência cidadã sustenta parte importante desse processo, porque aproxima o conhecimento técnico do saber local”, afirma Machado.

Conforme o coordenador, a cooperação entre equipes e comunidades pesqueiras conduz a um modelo mais robusto de conservação. “Quando o pescador participa da observação e do registro, o monitoramento ganha escala, continuidade e resiliência. Isso qualifica o dado e também amplia o compromisso com a proteção do sistema”, diz.

Os pesquisadores também debateram estratégias de valorização e salvaguarda da pesca cooperativa como patrimônio socioambiental e cultural nos rios Tramandaí e Araranguá, diante de pressões econômicas e ambientais que afetam esse tipo de interação entre humanos e fauna.

Para encerrar a imersão técnica, o grupo visitou o Museu de Ciências Naturais, onde conheceu o acervo científico e as ações de divulgação conduzidas pelo centro. Para Machado, a aproximação entre pesquisa, educação e comunidade forma o eixo que sustenta a conservação de longo prazo. “Conhecimento aplicado, educação ambiental e participação social precisam caminhar juntos para produzir efeito concreto”, conclui o coordenador.

 

 

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