
A inovação no processo pedagógico e o reposicionamento do aluno como figura central da aprendizagem conduziram a formação continuada dos professores do Colégio Unesc nesta segunda-feira (9/2). O encontro reuniu os docentes em uma agenda formativa voltada à revisão de práticas, à ampliação de repertório didático e à construção de um modelo educacional mais conectado à realidade dos estudantes.
A atividade propôs uma inflexão de olhar sobre o ensinar e o aprender. Em vez de sustentar a tecnologia como eixo de inovação, o debate destacou a intencionalidade pedagógica, as vivências em sala e a estrutura metodológica como vetores capazes de dimensionar aulas mais significativas, engajadoras e cognitivamente desafiadoras. A diretriz sustenta que protagonismo não é ornamento metodológico, mas base de um modelo educacional que dialoga com autonomia, investigação e pensamento crítico.
A reitora em exercício da Unesc, Gisele Silveira Coelho Lopes, conduziu a exposição central da manhã com provocações ao papel docente perante a volatilidade tecnológica e social. Ela apresentou perguntas estruturantes sobre o lugar do professor em um cenário de hiperconectividade, excesso de informação e disputa permanente por atenção. “Estamos usando a tecnologia para transformar a educação ou apenas para digitalizar métodos antigos de ensino?”, questionou.
A apresentação sustentou que o modelo educacional ainda opera, em muitos contextos, sob lógica vertical e grade rígida, enquanto a sociedade já se organiza em rede, com dinâmica descentralizada e personalização crescente. “Nesse ambiente, o estudante deixa de ser espectador e assume perfil de produtor e consumidor de conteúdo, com repertório digital, busca de autonomia e baixa tolerância à passividade. O desafio pedagógico não está em tornar a aula divertida, mas significativa. O aluno não aprende porque é divertido, mas porque faz sentido”, afirmou Gisele ao defender a conexão entre conteúdo e vida concreta.
Professor como mediador, curador e inspirador
A reitora em exercício argumentou que a Inteligência Artificial e as plataformas digitais não eliminam o professor, mas redefinem a função docente. O eixo técnico tende à automação, enquanto o campo humano: interpretação, mediação, curadoria e inspiração, ganha centralidade. “O docente deixa a posição exclusiva de transmissor e passa a atuar como designer da aprendizagem, responsável por conduzir percursos, selecionar referências, organizar experiências e estimular o discernimento. Sai o transmissor, entra o mediador, curador e inspirador”, indicou, ao tratar da evolução do papel pedagógico.
A exposição também distinguiu a digitalização da inovação. A simples compra de tablets, softwares ou plataformas não altera o padrão de aprendizagem se o modelo permanecer o mesmo. O equívoco recorrente, observou a reitora, está em trocar o suporte e manter a lógica. “A ferramenta precisa responder à necessidade pedagógica concreta, com foco em engajamento, personalização e resolução de problemas reais. Nessa estrutura, a tecnologia funciona como veículo, enquanto o fator humano conduz o processo”, relatou.
No debate sobre atenção e foco, Gisele, tratou da noção de higiene digital e consumo crítico como competências que devem ser conduzidas pela escola. Em um cenário em que o estudante carrega “o mundo inteiro no bolso”, o espaço educativo precisa ensinar critérios, filtragem e uso produtivo dos recursos. A cultura de aprendizagem passa a ser contínua, com fluidez, adaptação e combinação entre competências técnicas e capacidades cognitivas e relacionais.
Colaboração
Ao dialogar com os professores, a reitora em exercício reforçou que a Instituição precisa de educadores que atuem em lógica colaborativa e horizontal, capazes de conduzir práticas adaptativas e de sustentar resiliência pedagógica. Defendeu a preparação do semestre com intensidade e propósito, como exercício de reinvenção recorrente. “Vocês, professores, são as autoridades do conhecimento em sala de aula. A aprendizagem ativa, a personalização e o protagonismo estudantil configuram o patamar de transformação esperado. O futuro é humano, mediado pelo digital”, acrescentou”, disse.
Além disso, a reitora em exercício reforçou o engajamento da Universidade no movimento pela cultura de paz, com a realização do Fórum Mundial da Paz na Unesc, que contará com o envolvimento de especialistas internacionais, grupos de trabalho e participação de professores e estudantes. “A proposta amplia o debate sobre respeito, dignidade e convivência, e funciona como eixo integrador de múltiplas agendas educacionais”, pontuou.
Sensibilidade
No encerramento do encontro, a diretora do Colégio Unesc, Marcela Gava, destacou a sensibilidade como valor estruturante do trabalho pedagógico e da liderança educacional. “Se não formos sensíveis à nossa realidade, ao grupo de alunos que chega até nós e à própria realidade institucional, não faz sentido estarmos aqui, e não apenas aqui, mas no mundo. Não é possível olhar para alguém sem reconhecer que existe uma pessoa por trás da função. O que permanece é o que é sensível, é o que vai além do formal. Não queremos ser uma escola genérica. Queremos ser o Colégio Unesc, com identidade própria, entregando aquilo que fazemos de melhor, que é educação com excelência”, afirmou.

